Lorinel Almanoite
Um vento silencioso se fazia pela Fortaleza de
Ébano. Não que algum morto vivo ali se quer notasse a suave brisa ou o, se viu
esta chegando precisa se tratar, mórbido silêncio do local.
Desde a raide
na a Tumba do Avatar do titã negro se acabar, Áquerus se manteve com muito
pouco movimento, muitas tropas que lutaram contra Kil'Jaeden e seus soldados
foram mandadas para Argus. Agora que a Legião como um todo não se passava de
uma horda sem líder de demônios desmoralizados e amedrontados de mortais de um
pequeno planeta escondido no cosmo, um grande contingente da Lâmina de Ébano
estava livre para ir, vir, e viver a morte até que novas ordens se sucedessem.
Haviam
pessoas, porém, que não teriam este descanso meramente simbólico, afinal, toda
organização, militar ou não, necessita
de seus profissionais essenciais. Uma administração, uma contabilidade , as
vezes até um pequeno setor de publicidade, mesmo que todos estes não sejam
exatamente organizados da melhor maneira. Afinal, alguém precisa se certificar
que todos na Aliança recebam as mensagens e ordens do Alto-Rei Wrynn.
Com a Lâmina
de Ébano não seria diferente em nenhuma forma.
Pelo menos esses setores de gestão não precisavam parar para almoçar. Os
goblins adoram isso!
Enfim... os
poucos arquivistas da organização podiam ser contar os nos dedos das mãos de
uma abominação. Em torno de 11. 12 no
máximo? De qualquer forma, uma gnomida em específico passara longas horas
organizando e checando as listas de membros. No fundo, a mulher de cabelos
prateados sentia grande preguiça, mas tinha vergonha de pedir um intervalo ou
de expor isso a qualquer ser literalmente incansável por ali.
Notório como
o leitor há de ser, de certo se pergunta o porquê de usar três parágrafos
inteiros perdidos em uma digressão notória. Pergunta para qual este narrador
sem identidade defende com a preferência pessoal, ao menos neste pequeno
fragmento literário como a importância de dar preferência à construção de
cenário e ambientação em prol de uma maior imersão do leitor nesta curta
história.
Tal
explicação metalinguística fora tomada visando puxar a atenção para a primeira
linha do texto outra vez. Pois bem, tal
vento atravessaria a abertura da ala inferior da necrópole e levaria consigo o
punhado de papéis soltos ao topo da estante de madeira morta.
Carniçais
irracionais ficariam ainda mais perdidos ao serem atravessados e até derrubados
pela desastrada da arquivista que seguia os papéis como a aeronáutica de Alta
Forja seguiria um pombo. Para o alívio da Sin'dorei, entretanto, os pombos de
papel não eram tão ágeis.
-São seus,
querida? -Uma pálida elfa noturna com um um estranho biquíni de placas
arosadamente vermelhas conseguira pegar os arquivos.
-S-Sim! Me
desculpe ma... -Apesar do físico significativamente esculpido por uma Eluna pós
milênios de aulas de anatomia, a morta Kaldorei chamava a atenção por usar
biquíni, protetor solar e a uma cadeira de praia para se banhar ao Sol em
Arquérus?! -A... a senhora sabe que melanina não se-
-Ah não se
desculpe, querida. Não estava fazendo
nada mesmo, sem contar que isso parece importante... quem é? -Apontava no
último arquivo para o desenho de um elfo estranho.
Normalmente
os registros com quais aquele elfo ali descrito tomavam de três até cinco
linhas apenas. Em caso algum, um quarto inteiro de página com direito à duas
artes de rosto ao invés de uma só. Que tipo de cavaleiro possuiria dois rostos?
-Este? -A
gnomida, um quarto da altura da outra analisava com cautela o espécime descrito
no documento. -Está registrado como
"Suplício" apenas? Deve ser desses que não se recorda da vida pré
morte. Desde o final da campanha do Baluarte não reportou mais! Acho que
deveria levar isso pro RH.
-O sumiço
dele por si só já seria considerado uma traição e o faz inimigo da Lâmina não
é? -A elfa se deitava mais uma vez ao sol. Era convincente ao fazer parecer que
poderia mesmo pegar algum bronze.
-Isso
mesmo...-A Gnomida aperta os olhos nervosa. -Ei, qual o seu nome, soldado?
-O meu? Lor-
Espera! Suplício... eu... já ouvi falar de algum nome como esse. Ele é
especializado apenas em Sangue, não?
-Pelo visto
sim... Se já o viu... -A gnomida suspirava, pelo visto não era hoje que saberia
o nome da elfa.
-É, eu sei,
vou investigar sim... Geralmente estes cavaleiros não costumam se meter em boa
coisa... -Um suspiro ligeiro sucedia conforme a elfa se levantava e parte,
apenas agradecendo a Arquivista. -Obrigado pela dica viu? Estava morrendo de
tédio aqui, louca por algo o que fazer. Por sinal... Almanoite, Lorinel
Almanoite... ao seu dispor.
-Por quê
escolhi esse trabalho mesmo? Ah sim, não escolhi. -Em sua solidão, ela arruma
seus arquivos e volta ao trabalho. -É... talvez um dia teremos direito à décimo
terceiro... Pelo menos o Sol está bonito... eu acho.

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