Alice von Teiassombra
“-Seu dever será peregrinar até essas ruínas, rezando e guiando qualquer espírito que encontrar para os Braços das Chamas. Seu teste não é apenas purificar alguns possíveis espíritos.. mas sim perceber e entender o fardo que carregas em teu manto negro. Seu trabalho não só ajudará algum necessitado, mas a guiará pelo caminho da retidão.
Dizia o grande Patriarca em sua imponente postura. Para, alguns segundos depois, concluir a explicação.
-Além disso, deverás ir até as ruínas da Bastilha da Presa Negra, aquele local abandonado, e recuperar nos estábulos uma Lanterna Mágica. Alguns dizem que elas foram abençoadas e são capazes de descobrirem os espíritos que vagam entre os planos, precisando de ajuda. Claro que é apenas um boato, mas que caso seja verdade, será útil em nosso serviço.”
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Mas a Bastilha não seria a primeira parada de Alice, pois havia um alvo mais importante para se alvejar antes disso. Antes que a jovem pudesse se quer aceitar a si mesma como Templária.
-S-Senhorita… Por favor, dê algumas moedas para que eu… Possa comer… -Um mendigo encapuzado aos trapos na estrada das Terras Pestilentas estendia a mão sem esperanças.
Conforme a sombra da jovem que caminhava com o sol sobre sua cabeça desaparecia o mendigo dava um longo e seco suspiro. Mais um viajante se passava sem ao menos reconhecer sua existência… Tempos de guerra traziam realmente o pior da humanidade a tona. Ou seria isso que ele pensava até ouvir tilintares e vislumbrar a luz dourada de algumas moedas de ouro que a pálida clériga gentilmente colocava sobre a palma calejada de sua mão.
-Aqui, meu irmão. -Alice o entregava mais do que esmolas com um sorriso quase tão radiante quanto as moedas. -Que a Chama Mãe possa abençoar seus passos.
-Q-Querida… Como és… jovem… Obrigado. -Dizia ele ao fechar as mãos com calma, e as guardando. Entretanto seu semblante se mostrava ainda inquieto.
-Por quê, meu senhor? -A moça perguntava ao se ajoelhar e brevemente conjurar uma magia purificadora, removendo doenças e dores menores do corpo do sujeito. -Esperas aqui em um lugar tão perdido da estrada?
-Minha esposa… E meus filhos. Fomos despejados de Ventobravo e há alguns anos ocupamos aquela fazenda. -O mendigo apontava ao longe, uma cabana esfumaçada e cercada por alguns carniçais. -Era seguro… A Alvorada Argênt-
Algo se fincava ao chão diante do homem… uma tocha. -Meu senhor, lhe prometo que farei o possível para salvá-los antes que esta tocha se apague. -Expressava a sacerdotisa ao partir rumo à cabana. A tocha significava muito para ela, era um símbolo para sua provação. Contudo, se ela não pudesse ajudar os civis para completar seu teste, ser uma templária seria um título vazio.
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GWAAARN! - Rosnava o último Carniçal ao ser purificado por um disparo de chamas que expurgam o mal.
Eram apenas três e, com estratégia, Alice conseguira lidar com uma quantidade pequena de Carniçais, imobilizando-os e usando a Chama Mãe para queimá-los um a um… Pacientemente orando pelas almas expurgadas. Entretanto… Não haviam crianças ou mulheres dentro da casa, apenas restos de madeira chamuscada e memórias de outro tempo.
Alice engolia em seco e respirava fundo ao se ajoelhar sobre terra morta da pútrida província Lordaeroninana. Pena e dor tomavam seu coração enquanto uma sombra cobria os seus olhos conforme as cinzas dos mortos-vivos que foram abatidos lentamente brilhassem em dourado, abrindo o caminho para que suas almas acendessem com a silente oração da dama.
-Moça bonita… Por quê tá chorando? -Curioso, um menino surgia de uma porta de madeira no chão..
Erguendo lentamente seus olhos lacrimejados, a Baronesa nada podia ver além da vasta perdição das Terras Pestilentas, as ruínas chamuscadas da casa do mendigo bem como migalhas de luz que ascendiam aos céus pincelando o vento ao leste e levemente encobrindo um jovem garoto. Por trás das centelhas luminosas ele a observava curioso com uma mulher adulta, assustada e abalada saindo de dentro do porão da casa.
Como uma leoa que salta para a proteção de sua prole a mulher humana abraçava o garoto, que, por sua vez, não entendia muito bem o medo de sua progenitora. Temerosa com olhos cheios de lágrimas, a adulta se deixava levar, aos prantos coléricos, ordenando para que seus filhos fugissem.
-Tá sozinha? Os monstros levaram sua família? -Abaixava a cabeça o segundo filho, ao sair do porão com algo em mãos.- Tá tudo bem. A gente tem que passar por isso… -Ele estendia uma pequena e mísera flor de Botões-de-ouro para Alice com um dos mais belos sorrisos de inocência que Azeroth poderia oferecer.
-Obrigada, querido. -Alice recebia o presente que seria como uma dádiva e sorria mantendo os murchos botões próximos a ao seu coração. -Seu pai me mandou para buscá-los.
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Um vento tranquilo soprava em um assovio de Azeroth, fazendo a chama de uma tocha dançar em um baile ardente até que enfim… Se apaga.
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Alguns minutos após, Alice levaria a família do Mendigo de volta. Protetora como uma leoa, mas assustada como uma persa em um canil, a esposa resgatada não confiava em Alice apesar de encontrar naquela jovem uma saída segura daquela terra impregnada. A escolhida, contudo, apesar de ver através dos olhos suspeitos da moça
-Enfim chegamos, o pai de vocês está- Ao chegar onde o homem estaria, Teiassombra se via perdida e boquiaberta pois ele não podia ser encontrado. -Não pode … ser…
-Papai? -Um dos garotos perguntava com uma expressão indescritível ao ver o que parecia ser apenas a tocha apagada fincada no chão e um punhado de moedas de ouro despejadas.
-O-Olha… Eu- Quero dizer, me desculpe. Ele estava aqui quando o-
-Jonas… Então você… -A mulher, sem nem olhar para Alice, se ajoelha, logo acompanhada de seus filhos. - È mesmo um bobo… -Limpava seus olhos cheios de lágrimas. -Sacerdotisa… Posso te pedir uma última coisa?
Levaria alguns instantes para que a iniciada da Inquisição Escarlate compreendesse o que acontecera, entretanto, um sorriso singelo surgia em seu rosto. Com cajado em mãos e fé no coração, Alice orava por uma viagem calma e direta para aquela família enfim reunida.
Aquele dia seria marcado para a jovem Alice não pela ação de derrotar monstros sem vida, mas pelo momento o qual viu a chama de sua tocha se apagar com o reencontro de uma família. Após um adeus regado a uma revitalizada esperança, a jovem se despede da mãe e seus filhos rumo à alexandria do eterno ode ao passado.
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Caminhar por Tirisfal era como estar prestes a se perder em um cemitério ouvindo o coral mórbido das almas que lá ainda vagavam em perdição. A viajante previu que o cheiro pútrido e o ar seco daquele ambiente abandonado pelos titãs talvez seria demais para se aguentar… Entretanto, “Repulsa” não seria a palavra que a garota usaria para descrever sua emoção.
-...Dívida…
Suspirava consigo após alguns dias de caminhada, passando pelas Terras Pestilentas, o Contraforte e chegando ao fim da Floresta Pinhaprata. Cruzando as montanhas e algumas árvores, via ao longe uma pequena casa de madeira sob um morro, chegava ao seu objetivo enfim, entretanto… Havia alguém próxima a casa. Quem seria aquela mulher de longos cabelos prateados? Em uma terra desolada como essa, o que ela fazia ali?
À distância, Alice olhava através de seu cabelo esvoaçante conforme a mulher se virava e revelava seus penetrantes olhos esmeralda. Estava claro que teria companhia não esperada.


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