No recanto dos Mortos




Musiquê para Imersê:



 Lordaeron. Se havia um lugar além da tal Ilha Teiassombra aonde aquele Necromante sentia-se em casa era naquele reino caído que, mesmo na atualidade refletia seu interior na forma de um ambiente depressivo e mórbido. Sentado sobre um pequeno trono de caveiras, lia um livro das artes negras entediado.

 A cidade estava em ruínas e a horda não iria atrapalhar sua leitura, por isso, um semblante nostálgico e melancólico podia ser observado pelos mais atentos. Fria e negra era a brisa que soprou, trazendo um singelo sorriso e o livro a se fechar.

 -Mestre? -A renegada com armadura de Saronita evocava-se, eclodida das sombras.

 -Discórdia? Ora, chegou mais cedo do que o esperado.

 -Mas é claro, bobinho. Quando é que cheguei atrasada à um encontro contigo?

 -No nosso primeiro, na verdade. -A acusativa sobrancelha da criatura arqueava-se, surpresa. -Deixou-me plantado na fonte da Capital por uma hora e trinta e dois minutos devido à erros de cálculo.

 -Ora essa, meu senhor... não podes dizer que não aprimorei minhas técnicas de cálculo no pós-morte...

 Ele se levantava, aparentemente desinteressado, demonstrando um sorriso ao se aproximar dela. -Não foi isso que profanei, Discórdia. Sabe que aquele foi um dos melhores dias de minha vida. -Ele estendia a mão e um carniçal se aproximava ajoelhado-se ao final.

Com um grande sorriso de alívio em seu rosto, segue o outro com os olhos, não desviando a cabeça mesmo que envergonhada.  Sujeita à julgamentos, seu "mestre", contudo era bem capaz de compreender a vergonha de Discórdia pelas suas mãos, atrás da massiva montante embainhada em suas costas. 

 Lenta e cortesmente, o necromante estende uma caveira lazúli e brilhante para a mulher. Aquele artefato era feita de cristal, provavelmente esculpido ao longo de semanas por um "Ótimo artesão amador".

 As mãos gélidas da fêmea admiravam a escultura com o tato, contudo, ela sabia que aquela caveira era mais que apenas uma bela peça de artesanato. Era um recipiente para algo de vasta importância.

 -Se não conhecesse bem minha filha, meu primeiro palpite seria que agora está morta... -Ela tirava o artefato cilíndrico e o examinada de múltiplas formas. -Chega a me dar... uma ligeira ânsia,Mestre.

 -É uma vantagem conhecer. Pois há de reencontra-la dentro dos próximos meses. Logo logo esta patente será o único exemplar existente, e tenho certeza que nosso alvo estará mais que alinhado a obter tal arma de volta.

 -E me escolheu por ser a mais capaz de levar isto até ela, estou certa.

 -Precisamente, mas mantenha contigo até segunda ordem. -Ele esboçava um sorriso.

 -Devo guarda-la então? 

 -Não. Deve usa-la, da mesma forma que ela usa a dela.

-

 Novamente o vento sombrio soprava pelas decadentes Clareiras de Tirisfal. Com o desvanecer de seu mestre, discórdia fazia lentamente seu caminho pela floresta até uma ilhota esquecida pelo tempo. E lá, tomar minutos, que se transformavam em horas, as quais se transformavam em dias para estudar e entender a arma.

 -Hm... -Desgraça examinava o punho da lâmina com a mente borbulhante. -Lâmina da... Não,  muito genérico... Bem... Nas suas mãos, filha... -Um singelo sorriso esboça-se em seus lábios. -Será o Flagelo do Flagelo!


(A discórdia tem cara de vovó dos biscoitos :D)

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