Atlas von Marymore
Música opcional para Imersão:
-
A Magia
“Arcana é o mana,
A energia matriz
como sangue para o feiticeiro
A fonte de quem emana
É a principal atriz,
Nas noites, nosso braseiro.”
-Sir Edmund, o Mago Trovador
-
A floresta do final da tarde era tão… diferente. Ao menos era assim que Vanfirion a descreveria enquanto caminhava casualmente pelas trilhas. Nem tanto verde, nem tanto cinza, mas o odor de orvalho pela manhã tomava conta de seu olfato, gerando uma sensação de calma.
De fato caminhar com os animais era tão prazeroso quando caminhar com os homens ou os dragões, possuía um charme diferente para o adolescente. Se sentar ante à um muscoso carvalho apoiando o cotovelo no joelho dobrado e apenas assistir conforme as criaturas se aproximavam para ponderar sobre as nuvens da manhã revelarem o sol para o Condado da Rosa Negra não tinha preço.
-E mais um dia começa… -O loiro meio dragão suspirava ante ao grande vale que se abria ante aos seus olhos. -Hã?
Seus ouvidos aguçados captam a presença de pequenas e inofensivas criaturinhas se aproximando, pequenos camundongos fascinados com a bolsa de couro do jovem. Com um sorriso no rosto, ele percebe a origem do interesse dos roedores: um pequeno conjunto de queijo colonial que o Capitão Arastor havera lhe trazido da Cidade Real.
-Realmente "Os deuses começaram a sentir inveja dos mortais por causa deste Queijo Real!", Seu Arastor. -Os ratos viam a bolsa ser erguida e, quando suas esperanças jaziam desfalecidas, uma chuva de fragmentos daquele brilhante laticínio caia para os diminutos mamíferos. -Infelizmente, não será hoje que provarei seu sabor.
Sorrindo, o loiro observaria os camundongos alimentarem-se desesperadamente após dois ou três segundos parados, quando pareciam estar prestando respeito ao meio dragão pelo presente. Tomava seu tempo para observar as criaturinhas se alimentarem, contudo, algo as deixava agitadas e os fazia abandonar a refeição e correrem para suas tocas.
-Mas o quê? -Uma presença chegava aos sentidos do jovem, que, em milésimos de segundos se erguia e localizava a aura da criatura. -Isso não é um predador comum...
Eis que o loiro salta em meio à mata rumo ao que parecia ser um forasteiro na floresta, desaparecendo por entre as folhas verdejantes.
-Mas o quê? -Uma presença chegava aos sentidos do jovem, que, em milésimos de segundos se erguia e localizava a aura da criatura. -Isso não é um predador comum...
Eis que o loiro salta em meio à mata rumo ao que parecia ser um forasteiro na floresta, desaparecendo por entre as folhas verdejantes.
-
O entardecer tinha final e a grande estrela solar se preparava para encerrar seu dia e cair em seu sono noturno. O sol poente iluminava o Castelo de Gladinor com uma luz laranja vivida como o verão. As rochosas muralhas da modesta estrutura foram recentemente limpas e, apesar de secas, jaziam excepcionalmente brilhantes. A grande sacada, com chão de madeira e estruturas complexas de metal enânico formando arcos por entre as torres do Castelo, brilhava excepcionalmente.
Esta Sacada era de fato, a região favorita do Conde Aldor, o patriarca da família Marymore, pois, não só possuía uma longa e bela vista que dava para o pôr do sol, bem como era a região mais aberta do pequeno Castelo, sendo a escolha perfeita para treinar seus meninos. Apesar disso tudo, não era alegria que vinha tendo em suas sessões de treinamento.
Esta Sacada era de fato, a região favorita do Conde Aldor, o patriarca da família Marymore, pois, não só possuía uma longa e bela vista que dava para o pôr do sol, bem como era a região mais aberta do pequeno Castelo, sendo a escolha perfeita para treinar seus meninos. Apesar disso tudo, não era alegria que vinha tendo em suas sessões de treinamento.
Sons de espadas tiniam por aquele local que, outrora, fora usado para contemplação e muitos dos nobres do condado se reuniam para assistir o treinamento dos futuros condes. Os gêmeos eram vastamente hábeis com a espada, o jovem Ulthor era o melhor, por seu físico aprimorado e sua força no peso do pulso, conseguia derrubar todos os colegas da sua idade, e até mesmo alguns soldados adultos. Sua irmã gêmea, Lupus, por outro lado, não tinha a mesma força, mas ainda sim, impressionava seus pais e seu treinador regularmente quando conseguia derrotar os meninos mais velhos.
-Erga-se! -Gritava o treinador, Capitão Arastor Durheim, o melhor espadachim em quilômetros, responsável por treinar apenas os melhores. -Tens o sangue de teu pai correndo em tuas veias!
Aquela imponente figura de armadura forjada em metal de ébano e ornamentos dourados com barba por fazer e longos cabelos escuros observava o treino que seguia duro especialmente para dois jovens que se enfrentavam em uma roda que se formara no centro da ampla sacada de madeira. Lady Helena, Alguns outros soldados de alto escalão e até Illesith a representante da revoada esmeralda no condado e Dr. Drakon, Diretor do Complexo Arcano de Fantasia observavam, junto dos demais alunos de Arastor que, há quase uma hora terminavam seus últimos exercícios bem como alguns curandeiros prontos para cuidar dos adolescentes que se ferissem de mais.
-Vamos! Ela é só uma garota e é mais jovem que tu! -O Conde Aldor precisava gritar uma vez que a conversa e o debate dos espectadores supera o som de espadas.
Como uma montanha, ele se erguia ante a sua irmã mais nova, com a espada firme em sua mão, respiração pesada, cortes pelos braços, pernas e bíceps como um todo, olho e bochechas infladas com hematomas. O garoto cuspia sangue, parecia estar em seu limite, mas, fixava seus trêmulos pés no chão o melhor que podia ao encarar Lady Lupus, na época, apenas doze anos, muito o quê aprender, também ofegante, cansada, suada, contudo, contava apenas um arranhão em seu braço.
O público era silenciado mais uma vez, apenas quebrando o silêncio em alguns minutos com um comentário que invocaria o alvoroço mais uma vez. -Ele levantou de novo!
-De que adianta? Já se passaram duas horas! -Eis que a impaciente gritaria voltava ao observar os irmãos se enfrentado.
-Pela Luz das Estrelas!
-Vamos, querido! O manuseio da espada está no seu sangue! - A Condessa Helena, como sempre incentivava seu filho
Pouco tempo levava para que o Próprio Conde Aldor demonstrasse a fé que depositava em seu primogênito. -Vamos, lá garoto! Aguentou todos os golpes e é hora de revidar!
E seu Capitão, o acompanhava. -Já nos provou que tem fibra, jovem! Agora use-a! -A este ponto, uma comoção havera começado e toda a platéia retomava a esperança no jovem visconde.
-Vamos irmão! Todos os seus golpes foram bloqueados! Você é melhor que isso! Tem o Sangue dos Marymore! -Lady Lupus provocava seu irmão, tentando incetiva-lo.
Duas horas de combate sem pausas era muito mais do que a jovem poderia aguentar, mas mesmo assim, seu irmão se erguia a cada nocaute, como o sol da manhã de inverno: Lento, porém persistente. Entretanto, apesar disso, a lady teria de pedir Que seus ossos e músculos aguentassem seus últimos segundos. O pensamento de se deixar vencer pelo irmão persistente ocorria-na. Mas, apesar da imensa fadiga, sua honra de cavaleira não a permitiria desistir assim. A pena não superaria o orgulho da jovem Lupus… mas… e se se arrependesse?
Dezenas de vozes gritavam o seu nome, como os sons das canções antigas para os grandes heróis de Platina. Qualquer soldado no lugar do jovem sentir-se-ia como o próprio cavaleiro Gladius na Batalha dos Três Sóis, era como se toda uma nação gritasse por ele, como se todo um povo aclamava pela sua vitória! Nada pode impedir um guerreiro com uma causa forte e um povo ao seu lado.
-Atlas… -Ulthor suspirava de braços cruzados, tocado pelo ímpeto.
-ATLAS! ATLAS! ATLAS! -A platéia o aclamava, dando toda a força do mundo para que tomasse a vitória.
-Vamos! Ela é só uma garota e é mais jovem que tu! -O Conde Aldor precisava gritar uma vez que a conversa e o debate dos espectadores supera o som de espadas.
Como uma montanha, ele se erguia ante a sua irmã mais nova, com a espada firme em sua mão, respiração pesada, cortes pelos braços, pernas e bíceps como um todo, olho e bochechas infladas com hematomas. O garoto cuspia sangue, parecia estar em seu limite, mas, fixava seus trêmulos pés no chão o melhor que podia ao encarar Lady Lupus, na época, apenas doze anos, muito o quê aprender, também ofegante, cansada, suada, contudo, contava apenas um arranhão em seu braço.
O público era silenciado mais uma vez, apenas quebrando o silêncio em alguns minutos com um comentário que invocaria o alvoroço mais uma vez. -Ele levantou de novo!
-De que adianta? Já se passaram duas horas! -Eis que a impaciente gritaria voltava ao observar os irmãos se enfrentado.
-Pela Luz das Estrelas!
-Vamos, querido! O manuseio da espada está no seu sangue! - A Condessa Helena, como sempre incentivava seu filho
Pouco tempo levava para que o Próprio Conde Aldor demonstrasse a fé que depositava em seu primogênito. -Vamos, lá garoto! Aguentou todos os golpes e é hora de revidar!
E seu Capitão, o acompanhava. -Já nos provou que tem fibra, jovem! Agora use-a! -A este ponto, uma comoção havera começado e toda a platéia retomava a esperança no jovem visconde.
-Vamos irmão! Todos os seus golpes foram bloqueados! Você é melhor que isso! Tem o Sangue dos Marymore! -Lady Lupus provocava seu irmão, tentando incetiva-lo.
Duas horas de combate sem pausas era muito mais do que a jovem poderia aguentar, mas mesmo assim, seu irmão se erguia a cada nocaute, como o sol da manhã de inverno: Lento, porém persistente. Entretanto, apesar disso, a lady teria de pedir Que seus ossos e músculos aguentassem seus últimos segundos. O pensamento de se deixar vencer pelo irmão persistente ocorria-na. Mas, apesar da imensa fadiga, sua honra de cavaleira não a permitiria desistir assim. A pena não superaria o orgulho da jovem Lupus… mas… e se se arrependesse?
Dezenas de vozes gritavam o seu nome, como os sons das canções antigas para os grandes heróis de Platina. Qualquer soldado no lugar do jovem sentir-se-ia como o próprio cavaleiro Gladius na Batalha dos Três Sóis, era como se toda uma nação gritasse por ele, como se todo um povo aclamava pela sua vitória! Nada pode impedir um guerreiro com uma causa forte e um povo ao seu lado.
-Atlas… -Ulthor suspirava de braços cruzados, tocado pelo ímpeto.
-ATLAS! ATLAS! ATLAS! -A platéia o aclamava, dando toda a força do mundo para que tomasse a vitória.
-Eu…-O jovem ergue a lâmina "realista demais para crianças", como já foi descrita, ante à pequena rosa de cabelos platinados e pés de lebre.
O brilho da lâmina do garoto alinhava-se ao sol como a lua em um glorioso eclipse, entretanto trazia um clarão em esplendor que roubava, por milésimos de segundos a visão e o fôlego da platéia. Esta que, em um suspiro em coral após um som intenso de metal que se choca com o chão era paga de seu inquieto aguardar com a imagem do filho primogênito se curvando educadamente ante sua irmã, ante à sua lâmina de ponta enterrada no chão de madeira da Sacada de Aldor.
-Irmão… -Lupus encarava atônita seu irmão que, em alguns segundos venceria. -Porquê?!
-Parabéns irmã, tu vence outra vez. -O jovem se curvava de voz trêmula, alguns segundos antes de ouvir seu pai.
O imponente Conde Marymore infla seus pulmões com tanta força que poderia ser confundido com um pequeno tufão. -ATLAS! -Bradava trovejante a voz trêmula do imponente paladino. -TU NÃO SERVE PARA NADA, INFANTO!
Nem nas batalhas mais difíceis ou sob os mais profanos suplícios, o coração de guerreiro de Aldor cedia como naquela vez. Conforme uma única e solitária lágrima era expelida pelo franzir intenso de seu cenho e escorria por suas maçãs do rosto ruborizadas, não por vergonha mas sim pela decepção incomensurável de uma figura paterna, o garoto desaparecia por entre a multidão quase como em um passe de mágica.
A oponente vence sem uma única palma.
O irmão gêmeo sorri orgulhoso de sua superioridade.
Mais uma vez decepciona seu progenitor evocando a ira do paladino. Algo tinha que estar errado… toda vez! Empunhar uma espada era dificil, mas era um prazer, entrentanto, toda vez que tinha de ergue-la para um ser vivo, subitamente aumentava uma tonelada… Atlas se perguntava o que poderia fazer para corrigir seus erros.
Pela dispensa da cozinha do castelo havia uma passagem secreta que poucos conheciam, e Atlas usara-a mais uma vez para fugir da ira do seu pai. Um breve túnel dava para uma pequena ala fechada, abandonada há décadas nas costas do castelo.
O jovem visconde, sentado por algumas horas em isolação, abraçava-se em suas pernas enquanto apoiava suas costas contra a parede de uma parte mais elevada onde a grama e as raizes ainda não cobriam a velha estrutura de pedra no chão, observava a bela estátua de uma humilde, porém heróica mulher com livros e pergaminhos. Infelizmente sua bela estrutura esculpida em mármore jazia coberta por cipós e musgos.
O brilho da lâmina do garoto alinhava-se ao sol como a lua em um glorioso eclipse, entretanto trazia um clarão em esplendor que roubava, por milésimos de segundos a visão e o fôlego da platéia. Esta que, em um suspiro em coral após um som intenso de metal que se choca com o chão era paga de seu inquieto aguardar com a imagem do filho primogênito se curvando educadamente ante sua irmã, ante à sua lâmina de ponta enterrada no chão de madeira da Sacada de Aldor.
-Irmão… -Lupus encarava atônita seu irmão que, em alguns segundos venceria. -Porquê?!
-Parabéns irmã, tu vence outra vez. -O jovem se curvava de voz trêmula, alguns segundos antes de ouvir seu pai.
O imponente Conde Marymore infla seus pulmões com tanta força que poderia ser confundido com um pequeno tufão. -ATLAS! -Bradava trovejante a voz trêmula do imponente paladino. -TU NÃO SERVE PARA NADA, INFANTO!
Nem nas batalhas mais difíceis ou sob os mais profanos suplícios, o coração de guerreiro de Aldor cedia como naquela vez. Conforme uma única e solitária lágrima era expelida pelo franzir intenso de seu cenho e escorria por suas maçãs do rosto ruborizadas, não por vergonha mas sim pela decepção incomensurável de uma figura paterna, o garoto desaparecia por entre a multidão quase como em um passe de mágica.
A oponente vence sem uma única palma.
O irmão gêmeo sorri orgulhoso de sua superioridade.
O treinador, sem muito carinho dispersa a plateia nobre.
Diretor e a Dragonesa controlam a comoção que logo acalma.
A mãe se aproxima de seu marido com Serenidade.
E o pai, um velho sentimento redescobre.
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Mais uma vez decepciona seu progenitor evocando a ira do paladino. Algo tinha que estar errado… toda vez! Empunhar uma espada era dificil, mas era um prazer, entrentanto, toda vez que tinha de ergue-la para um ser vivo, subitamente aumentava uma tonelada… Atlas se perguntava o que poderia fazer para corrigir seus erros.
Pela dispensa da cozinha do castelo havia uma passagem secreta que poucos conheciam, e Atlas usara-a mais uma vez para fugir da ira do seu pai. Um breve túnel dava para uma pequena ala fechada, abandonada há décadas nas costas do castelo.
O jovem visconde, sentado por algumas horas em isolação, abraçava-se em suas pernas enquanto apoiava suas costas contra a parede de uma parte mais elevada onde a grama e as raizes ainda não cobriam a velha estrutura de pedra no chão, observava a bela estátua de uma humilde, porém heróica mulher com livros e pergaminhos. Infelizmente sua bela estrutura esculpida em mármore jazia coberta por cipós e musgos.
Aquela era a estátua da assistente de Gladius em seu tempo de Marquês. A meio-elfa Syndalis era dedicada a servir o nobre com trabalho duro e foco inabalável. Em sua estátua jazia os dizeres: "O vento sopra nas costas de quem aceita seu destino."
-O que diabos… isso quer dizer? -O jovem visconde suspira para si, perdido em pensamentos. -Pfff! E isso importari-
-O que diabos… isso quer dizer? -O jovem visconde suspira para si, perdido em pensamentos. -Pfff! E isso importari-
Algo interrompe o adolescente, era acertado na cabeça pelo que aparentava ser uma arma demoníaca de imenso poder. Pulsando vermelha e envolta em sutis traços amarelados, o projétil agora caia no chão um pouco sujo pela poeira das pedras e os pequenos brotos de grama que nasciam por entre as tábulas do chão. Era claro que aquilo era alguma espécie de bomba vil, provavelmente trabalho dos Sinhearts!
O loiro se levanta com o coração a mil batidas por segundo, pronto para correr a qualquer instante. Avisaria para os soldados mas… não parecia haver tempo para impedir este plano de conquista. Será que aquela arma era mágica? Não, estava claro que só podia ser obra de goblins-ogros demoníacos, afinal qual outra criatura podia ter tamanha engenharia e poderes arcanos?
-Ou… talvez seja só uma maçã… -O humano conclui demonstrando uma expressão indescritível ao bater na própria testa. -Como sou idiota…
-Que bom que sabe disso, Visconde. -Dizia uma voz suave e brincalhona vindo de trás da estátua da conselheira de seu avô.
-O quê? Quem está aí? -O loiro filho de Aldor se agachava para pegar sua espada no chão, entretanto sua única arma fora abandonada mais cedo ao ouvir os brados ardentes de seu pai. O que lhe restava era segurar a maçã escarlate e rezar para Eraus que aquilo de fato fosse uma boba vil. -Apareça!
Sem cerimônia uma garota surge pendurada na estátua. Trajada com roupas de mercador com curtos e bagunçados cabelos negros que pendiam para o lado que a jovem se inclinava. Usava também uma capa de seu tamanho e um colar de gargantilha. -Sabe, falar assim não é nem um pouco educado. Nem me parece um Visconde! - O rosto da moça ia um pouco pra trás conforme seus músculos franziam de leve em um riso de bom humor.
-E-ei! Não me diga como devo ou não agir! Quem és tu, garota futricada? -Dizem as más línguas que quando um Marymore se irrita é quando seu linguajar torna-se o mais rebuscado.
-Viu só? Não sabe nada de cavalheirismo! Observe! -A garota descia em um salto gracioso caminhando ante a Atlas mantendo uma postura ereta e nariz empinado. -Boa noite vossa Viscondedade… -A garota se curva de forma exagerada enquanto fazia sua voz grossa de forma jocosa. -Meu nome é Selene Voss. Me daria a graça de vosso nome?
-Ou… talvez seja só uma maçã… -O humano conclui demonstrando uma expressão indescritível ao bater na própria testa. -Como sou idiota…
-Que bom que sabe disso, Visconde. -Dizia uma voz suave e brincalhona vindo de trás da estátua da conselheira de seu avô.
-O quê? Quem está aí? -O loiro filho de Aldor se agachava para pegar sua espada no chão, entretanto sua única arma fora abandonada mais cedo ao ouvir os brados ardentes de seu pai. O que lhe restava era segurar a maçã escarlate e rezar para Eraus que aquilo de fato fosse uma boba vil. -Apareça!
Sem cerimônia uma garota surge pendurada na estátua. Trajada com roupas de mercador com curtos e bagunçados cabelos negros que pendiam para o lado que a jovem se inclinava. Usava também uma capa de seu tamanho e um colar de gargantilha. -Sabe, falar assim não é nem um pouco educado. Nem me parece um Visconde! - O rosto da moça ia um pouco pra trás conforme seus músculos franziam de leve em um riso de bom humor.
-E-ei! Não me diga como devo ou não agir! Quem és tu, garota futricada? -Dizem as más línguas que quando um Marymore se irrita é quando seu linguajar torna-se o mais rebuscado.
-Viu só? Não sabe nada de cavalheirismo! Observe! -A garota descia em um salto gracioso caminhando ante a Atlas mantendo uma postura ereta e nariz empinado. -Boa noite vossa Viscondedade… -A garota se curva de forma exagerada enquanto fazia sua voz grossa de forma jocosa. -Meu nome é Selene Voss. Me daria a graça de vosso nome?
Atlas tremia conforme suas bochechas ruborizavam. Talvez em outros momentos, outras ocasiões o jovem conde teria entendido o humor da situação… mas esse não era o caso. Todos, TODOS ao seu redor só faziam rejeitá-lo ou cobrar algo impossível. Por quê era obrigado a lutar com uma espada? Por quê era obrigado a ferir sua irmã até a exaustão? Por quê tinha de ouvir os brados de seu pai sem ter feito um unico mal?!
-BASTA!! SUMA DA MINHA FRENTE, RAPARIGA DO INFERNO! -Profanava aos prantos o jovem, sempre tão educado e polido, agora envolto em uma cólera possessiva.
-BASTA!! SUMA DA MINHA FRENTE, RAPARIGA DO INFERNO! -Profanava aos prantos o jovem, sempre tão educado e polido, agora envolto em uma cólera possessiva.
Congelada tal qual a estátua da maga da côrte, a jovem Selene lentamente abaixava sua cabeça em um sinal ambíguo enquanto Atlas podia ver diante de seus olhos o que parecia ser seu primeiro feitiço. Tudo naquela fechada ala esquecida do castelo se tornava uma escultura de gelo. As árvores, que não mais dançavam com o vento, a grama, que não mais se movia com o passar dos roedores e insetos pelo chão uma vez que estes correram para suas tocas.
O jovem lentamente recobrava a ciência de seus atos e, em arrependimento se ajoelha e, sem pensar desfere um soco ao chão. -MALDIÇÃO! POR QUÊ EU ES-
-Visconde… eu quero lhe mostrar uma coisa. -A jovem lentamente ergue a cabeça e se aproxima de Atlas a passos calmos conforme removia algo de sua bolsa.
-O quê? Selene? -O jovem erguia sua cabeça apenas para vislumbrar os cintilantes olhos azuis como diamante do oceano que a mulher usava para fita-lo ao se agachar, de cócoras, ao seu lado.
-Olhe, Visconde… -Ela então coloca um livro de capa vermelha e marca negra, ligeiramente abatido no chão diante dos joelhos do garoto e lhe aponta um trecho.
-“O dever de um mago é saber e conhecer a trama arcana da magia. Pois assim, os inocentes podem ser protegidos e as boas causas possam ser apoiadas.” -Atlas lia, limpando as três ou quatro lágrimas que jaziam em seu rosto e depois encarava a menina. -Quem… escreveu isso?
-Lady Syndalis, M’lorde. Ela escreveu isso para o meu pai há trinta anos atrás, quando seu avô ainda era vivo. -A garota ajeitava seu cabelo com um sorriso no rosto conforme a luz do sol poente dava espaço para um brilho argênteo da Lua sob o rosto pálido da garota. -Tem outro… que quero que leia. -Folheando mais as páginas daquele caderno simples, ela logo encontra uma citação que a faz suspirar com um sorriso.
-O quê? Selene? -O jovem erguia sua cabeça apenas para vislumbrar os cintilantes olhos azuis como diamante do oceano que a mulher usava para fita-lo ao se agachar, de cócoras, ao seu lado.
-Olhe, Visconde… -Ela então coloca um livro de capa vermelha e marca negra, ligeiramente abatido no chão diante dos joelhos do garoto e lhe aponta um trecho.
-“O dever de um mago é saber e conhecer a trama arcana da magia. Pois assim, os inocentes podem ser protegidos e as boas causas possam ser apoiadas.” -Atlas lia, limpando as três ou quatro lágrimas que jaziam em seu rosto e depois encarava a menina. -Quem… escreveu isso?
-Lady Syndalis, M’lorde. Ela escreveu isso para o meu pai há trinta anos atrás, quando seu avô ainda era vivo. -A garota ajeitava seu cabelo com um sorriso no rosto conforme a luz do sol poente dava espaço para um brilho argênteo da Lua sob o rosto pálido da garota. -Tem outro… que quero que leia. -Folheando mais as páginas daquele caderno simples, ela logo encontra uma citação que a faz suspirar com um sorriso.
-“Nem todo herói empunha uma lâmina. Não subjulgue vosso caminho, pois nem vossa religião ou... Vossa família pode ditar quem tu és.” -O loiro virava novamente para ela, buscando a resposta da mesma pergunta que antes fizera.
Em um sorriso gentil, a pálida garota de gargantilha respondia. -Essa… é do Marques Gladius von Sinamore.
Em um sorriso gentil, a pálida garota de gargantilha respondia. -Essa… é do Marques Gladius von Sinamore.
Naquele momento… tudo fazia sentido para Atlas, todos os porquês, outrora tão difíceis de encontrar jaziam bem de baixo de seu nariz. Tudo graças a aquela garota misteriosa que surgiu em seu ponto mais deplorável… -Selene Voss… -O visconde, sem pensar ou se questionar, abraça a jovem com um calor indescritível.
Ela, por sua vez, nunca pensaria que seria abraçada por um digno Visconde… mas este dia chegou e, coberta de uma alegria serena, ela retribui o carinho envolvendo seus calorosos braços ao redor do jovem. Sua alegria não vinha da superioridade, ou de algum benefício, mas sim de saber que, naquele dia, pudera ajudar alguém a encontrar seu caminho em meio às sombras da vida.

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