Shamash Terachama e Gorg'ona
Gorg'ona
gritou com a curandeira e até com o velho orc que precisava de repouso. Mas
para ele, se fazia mais do quê visível que o desespero não tinha relação com
preparação técnica ou a possível perda de um conselheiro e embaixador que
ultimamente, ajudara a unificar aquele Legado como uma família. Entretanto, era
com a saúde do Tomo da Dor que ela se preocupava.
Talvez as
primeiras palavras que foram trocadas entre aqueles dois fossem uma provocação e uma ameaça real de morte:
"-Tu pode ter certeza, traidor. Se tu pisar um
pouquinho fora da linha, a Gorg'ona vai usar a flecha que fez especialmente pra
matar tu.
-Hmpf. Sabe
como sei quando alguém é de confiança, Matriarca? Quando querem me matar."
Porém, seria
mais do quê uma sarcástica virada do destino, ou dos Loa talvez, que aos poucos
um ganha a confiança do outro, planos de espionagem resultam
na revelação do quê havia de baixo daquela máscara de ferro. Um
monstro... Um monstro arrependido. Um monstro que queria, nem que por um único
dia, poder se sentir um bom pai.
E lá estava a
Matriarca dos Ecos de Vol'jin, sua superior, abaixo apenas do Chefe-guerreiro...
pedindo com lágrimas nos olhos para que aquele orc parasse de andar no linear
entre a vida e a morte. Um desesperado pedido, que resultou em um caloroso
abraço.
Caloroso...
não frio como a máscara de ferro que fora arrancado à golpes de espada de seu
rosto e, de alguma maneira, revelou um rosto regenerado... jovem, quente e
verde como esmeralda. Alguma coisa no
Portal d'alma o fizera regenerar gradativamente de suas feridas e de suas
queimaduras, provavelmente acelerado pela união das duas metades de sua alma,
separadas há onze anos atrás.
Shamash era
quente mais uma vez. Shamash respirava mais uma vez. E Shamash... Amava mais
uma vez.
Beijado no
rosto pela Matriarca, o orc a toma para si e devolve o favor, encaixando suas
presas perfeitamente umas nas outras. Pressionando seus lábios com força e
paixão e transmitindo um calor reconfortante.
Passariam
algumas horas juntos, abraçados um com o outro, conversando e trocando farpas
como sempre. O conselheiro que outrora fora traidor, agora tinha um rosto mais
uma vez e, aparentemente, um coração também. E a Matriarca foi a primeira a
vê-los.
-
Com a trolesa
já adormecida, a noite caía e o orc se levantava, silenciosamente se pondo do
lado de fora da tenda. Poderia observar o céu estrelado com os seus próprios
olhos enfim.
- Linus... e
Ulric... Vocês não tomaram nada de nós.
Suas palavras
sumiam como uma brisa ao vento, de uma forma ou de outra, Shamash tinha mais
algo a proteger.

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