A Trilogia da Vingança: III


Soundbox 1:



"Todos sabem os sacrifícios que eu tive de fazer ao longo da minha vida. Entretanto, jamais tive o ego inflado de projeta-los acima da cabeça dos meus companheiros, me colocando como superior. E mesmo assim, o mundo está cheio dos pueris egoístas que só conseguem agir como ratos atrás da própria proteção. Acho superficialidade mortais me fascina... tal qual sua profundidade."

 "-Conselheiro Sarvet... Quais são as nossas chances de vitória.

  -Atualmente, com as cinco Shal'dor, chefe Sher'roth... 64%.

  -Isso ainda é muito pouco! Se houver um por cento de chance de minha família ser ferida, ainda será uma porcentagem alta! Você disse que eram sete, não?

  -Uma delas jaz sob a posse do inimigo e a outra...

  -A outra não. Qual seriam as nossas chances com as seis?

  -...97.5%, Chefe Sher'roth.

  -Então não preciso lhe dizer mais nada. Leve todas as minhas tropas, mas consiga esta-

  -Não se preocupe. Sauda'dor estará em nossas mãos antes da batalha final."

-
 -Saia da minha frente, cria do demônio.-Erauthiel, em sua novíssima armadura de cristais iluminados safira bufava para o cavaleiro com todo o nojo do mundo.

 -Posso fazê-lo. Se cooperar e me devolver o quê é meu. -Dizia imponente o Portador das Shal'dor ao erguer a sua espada em sinal de barragem.

 Um vento silencioso atravessava por toda Korkrun enquanto Mysandra observava o encontro a distância. E pensar que aquela tão aguardada luta ocorreria justamente de baixo da ruína da Nave do Exército da Luz. Os dois antagonistas trocavam olhares, id, ego e superego debatiam justiça, moral e impulsos. Nela, uma imensa indecisão, era difícil de segurar seu instinto vingativo, sabia que se tornara mais poderosa que ele, contudo... depois de finalmente aceitar o seu posicionamento e a vontade da Luz... lá estava Sarvet, pela primeira vez em mil anos, desafiando alguém diretamente.

 Nele, contudo, as três vozes do inconsciente alinhavam-se em um objetivo em comum, tomar aquela pedra de volta. Haviam meses que aquele paladino vil se preparava para aquele confronto definitivo, não era a segurança dele que estava em jogo, mas sim, de seu Legado, de seus aliados e... de sua família.

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Soundbox 2:

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 -Você está-

 -Me desculpe, por um minuto imaginei que seria esperta uma vez na vida. -Eis que um escudo vil é posicionado e a espada sagrada arremessada como a lança de Odyn, apenas para ser defletida por Sauda'dor, a nova espada de chamas pura da paladina. -Ataque com tudo se tiver loucura o bastante. -Erguia a placa defensiva que ativava uma segunda camada vil de energia defensiva.

 Não era difícil para a humana bloquear e defletir a lâmina voadora do inimigo a fazendo prender-se na muralha de pedra às suas costas. Seus olhos afiavam e, com apoio, ela se projetava na direção de Sarvet com a lâmina inflamada.  A história se repetia para os dois paladinos, chegava até a ser irônico.

 Instantaneamente o elfo seria flanqueado pela orbe materializada pela cavaleira, entretanto, este era um velho truque o qual ele estava preparado. Com punho cerrado, pegava Lussanel de sua ombreira esquerda e, reabrindo-o , uma chama de energia vil se torna em uma barreira esmeralda projetada ante ao bombardeio.

 Arkaizer, a cavaleira do julgamento flamejante, contudo, compreendia que tal barreira não aguentaria muito tempo a proteger o inimigo, portanto, era questão de tempo até que o mesmo fosse abatido. Um sorriso esboçado no rosto de Sarvet, porém, demonstrava que também estava preparado para isso.

-Olha só aonde chegou, Sarvet... Humilhado e encolhido como- -O ataque de duas frontes da cavaleira era aquilo que a dava tanta vantagem contra a maior parte dos inimigos, o quê ela não poderia esperar era a espada incrustada com Shier'dor, a primeira Shal'dor voaria de volta para o cavaleiro, replicando a tática dela própria. Tampouco, poderia imaginar que aquele ataque surpresa faria que a lâmina voadora atravessasse em tangente seu cotovelo, afetando diretamente o tendão do músculo tríceps, no braço.

 Ecoava o rugido de dor e, instantaneamente, a mulher se projetava para trás, alcançando o paredão de rochas, encurralada e sem um dos braços. Apenas para vislumbrar o preciso movimento do oponente de simplesmente explodir a órbita de ataque com a espada, novamente  arremessada, desta vez, no entanto, à queima roupa.

 -Lhe dei uma chance... Inúmeras chances... até admiti todos os meus erros para contigo, Erauthiel. -A estância dele parecia se tornar menos agressivos, o quê apenas deixaria-a um nível acima em seu singelo desespero. -Lhe perdoei por todo o ódio e todas as chamas de rancor que criou para me matar. Mas você escolheu cuspir no meu perdão e em minha humildade.

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Soundbox 3:


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 Aquele homem... não era o mesmo Sarvet que Arkaizer enfrentou no passado. Não... Algo o tornou mais agressivo, não como uma besta descontrolada como ela imaginaria que a fusão com o lorde Eredar o faria. O Sarvet que ela enfrentava agora em Argus, esse tinha um objetivo claro, ele tinha um objetivo e a mataria mil vezes se preciso, diferente das outras vezes, aonde pouco atacava e apenas se defendia esperando que a cavaleira se acalmasse.

 -Eu nunca o perdoaria... -Ela bradava em silêncio ao conjurar um nova orbe santificada. -...VOCÊ SE TORNOU UM DEMÔNIO COMO SEMPRE DISSE QUE FARIA!

 Desta vez o ataque vinha como uma onda flamejante virtualmente incomparável, entretanto, infelizmente para Erauthiel, Sarvet esta preparado. Um arremesso da lâmina para o céu e a canalização da energia através de Enilon, em sua manopla direita, transformava a lâmina em um portal espiral que parecia disparar diversas réplicas esmeralda da lâmina elfica. Avatares, se assim preferir.

 -És uma bastarda. Até mesmo tua única filha, salva por um milagre da Luz... é rejeitada meramente por carregar o meu sangue! -As duas ondas de ataques se colidiam, fazendo todo o ambiente trepidar e trincar. Múltiplos estrondos, quando juntos, formavam um enorme chiado, atrapalhando os ouvidos de qualquer criatura ao redor. A esperança dela era atrasa-lo o bastante para ter tempo de conjurar sua cura mais poderosa na junta ferida para que, ao menos, pudesse recuperar seu braço, contudo, manter aquela rajada maciça tomava conjura e energia.

 Contudo... Erauthiel ainda possuía uma carta na manga. A carta que usara para vencer Sarvet em definitivo em Nortúndria, a carta que lhe fez ser conhecida como "O Julgamento Flamejante".

 -Não seja louco! Reinadriel morreu dentro de mim! A luz faz milagres, não abominações! -A lâmina flamejante da mulher se erguia unindo energia térmica do local, Arkaizer estava enfim sendo evocado em toda a sua glória. Para a sorte da cavaleira, só precisaria de uma mão para prepara-lo, perderia apenas precisão em seu ataque, contudo, o inimigo fizera questão de trazer a luta à um local aonde não teria escapatórias. -Mesmo com suas pedras, vamos ver se vai se manter de pé desta vez!

 Era reconhecível a técnica da cavaleira. Enquanto Sarvet observava a próxima conjura, em uma estranha sincronia as duas rajadas reduziam até que sumissem, dando lugar para um silêncio calmo como o oceano assustado antes de uma tormenta tenebrosa. Assim como Erauthiel, o paladino vil só poderia conjurar uma magia por vez e, suas lâminas voadoras não o protegeriam contra o famoso Julgamento Flamejante de Arkaizer. Atacar enquanto a mulher arquitetava tal técnica também, seria como socar diretamente uma bomba de mana.

 -Não são pedras mágicas que vão me garantir a vitória...

 O ataque viria, contudo, o cavaleiro, ao menos desta vez, faria de tudo para bloquea-lo, seu escudo, o Alahshala, com Saladin, conforme ele se agachava, alinhando-o com a espada, Dalah-Zaram, engastada com Shier'dor. Seus braços se apoiavam como o melhor suporte que podia, fazendo com que as três remanescentes Shal'dor se aglomerassem ante à barreira erguida, Lusannel, Enilon e Sanak'kir. De fato, aquela era a primeira vez que mais de duas Shal'dors eram unidas para um único ataque.

 -Sarvet...Posso não crer em ti, mas...Droga! Que a Luz te proteja! Se ela te matar, eu mato os dois! -Ao longe, a Illidari Mysandra, que observara seu amado com os nervos à flor da pele sabia que aquele ataque era, talvez, a única incógnita na equação de o ultimo Vermelhalvorada.

 Um verdadeiro tsunami inflamado de fogo sagrado se erguia ante  ao cavaleiro e, em poucos minutos o consumia. Sua muralha de cinco barreiras era poderosa o bastante para defender incontáveis ataques, contudo, Arkaizer o fazia não só trepidar, como também trincar. Mais e mais a cúpula do cavaleiro seria rachada até ser destruída junto dele. Com mais alguns instantes, a primeira camada é totalmente quebrada, tirando o suspiro de desespero da Illidari que observava.

 -SARVEEEEEEEET!

 Pouco a pouco a segunda barreira trincava até se despedaçar da mesma maneira, logo depois dela a terceira também foi levada e totalmente arrebentada. Os próximos, sua ultima linha de defesa, eram a lâmina e o escudo, o cavaleiro fincava os pés no chão com toda a determinação do mundo, sua instância era tudo para sobreviver àquele mar de chamas purificadoras.

 Enfim, após gastar grande quantidade de energia naquele arquétipo absoluto de chamas, a paladina ouvia o sinal que esperava tanto, um imenso estrondo e o som das duas armas a voar violentamente pelo campo de batalha. Isso queria dizer que a barreira caíra e que o feitiço poderia ser enfim concluído.
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Soundbox 4:

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 Sons de relâmpago ecoavam ao longe, e, em instantes, nuvens negras sobrevoavam o local despencando uma sonora, porém calma chuva pelo local, provavelmente trabalho de algum grupo de xamãs por aí.

 Findavam-se as chamas em passos lentos e calmos, dentro de alguns minutos, portanto, apenas uma imensa cortina de fumaça se mantinha erguida, sem sinal algum do cavaleiro e inimigo. Erauthiel sorria de leve, não estava exausta uma vez que usara tantas vezes aquela técnica no ultimo ano que seria simplesmente impossível não ter acostumado ao menos um tanto quanto ao uso da mesma.

 Ela erguia a cabeça para o topo do cânion, vislumbrando apenas um ponto vermelho e verde, Mysandra Correfúria. Irada e erguida com suas glaives já em mãos, demonstrava uma ira absoluta em seu olhar, por uma instância, quase similar à dela.

 -Vamos vadia vil. Desça aqui e será a próxima.

 -Como você disse?! -Rosnava em ira, se aproximando rápido à queda do paredão.

 -É isso mesmo, cadela sarnenta de guar-

 -BASTARDA! -Da cortina de fumaça, vinha a voz esganiçada e abatida de Sarvet. -FIQUE FORA DISSO MYSANDRA, É UMA ORDEM! SE EU MORRER, PEGUE SAUDA'DOR E ENTREGUE TODAS À REINADRIEL!

 -Mas o quê? -A cavaleira mantinha-se simplesmente chocada com o elfo demoníaco avançando desarmado em o quê parecia ser uma ira bestial frenética.

 Ela disparava as setas flamejantes que podia, contudo, ele, mesmo recebendo os ataques defronte, desacelerava ao primeiro momento, voltando a ganhar impulso no segundo instante. Erauthiel dava um passo para trás...apenas para se lembrar que estava encurralada!

 Eis que o plano do Portador das Shal'dor se concluí, estava apenas alguns passos de alcançar a mulher enfraquecida e com  um único braço à disposição. Suas garras atravessavam o ar com maestria, como um falcodraco sobrevoando Quel'thalas, descendo em um rasante e...Tendo sua asa perfurada pela espada do inimigo.

 A lâmina arcana da Cavaleira da Mão de Prata simplesmente atravessara a palma da mão do inimigo, impedindo seu avanço e, praticamente finalizando a luta. O tempo parecia literalmente parar por minutos de silêncio que passavam como horas, ninguém poderia imaginar que aquela história terminaria por ali... de forma alguma, de fato.
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Soundbox 5:


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 -Por quê?
 -...
 -Se sabia que as cinco Shal'dors não garantiriam tua vitória... por quê veio me enfrentar assim mesmo. -Falava olhando para onde imaginava que seus olhos estariam sem nem perceber o tamanho da sua lâmina gradativamente encolher.
 -Bpff! -Ele bufava ainda de cabeça retraída para o chão com a sombra mais decadente sobre seus olhos. -Você ainda não entendeu não é? Nunca vai entender... De fato você ficou muito poderosa treinando todos esses anos, realmente entendeu os conceitos mais complexos de um paladino...
 -Aonde... quer chegar? -A distância da lâmina de energia havia chegado até sua metade. -Mas o quê diabos-
 -Mas, esquece o coração da coisa... o pilar que de fato constituí o quê é ser um paladino, se sacrificar para proteger aqueles que não podem se proteger sozinhos. Isso não é uma maldição, é uma benção. -A mão do cavaleiro se prendia à guarda da espada que já não tinha mais lâmina. Ele levava a outra mão até lá e a luz cristalina de dentro da arma da cavaleira corria de vagar na direção oposta do pomo.
 -SARVET LARGUE JÁ- -Ela evocava setas flamejantes à queima roupa, que explodiam as costas do guerreiro em chamas, ele recebia o bombardeio como um mártir.
 Quando Arkaizer podia arrancar a espada das mãos do inimigo, porém, não havia mais lâmina. Ao momento que a mulher iria questionar ou analisar, contudo, recebe um ataque direto tão e tão intenso que nunca em sua vida esquecer-se-ia. Um verdadeiro punho flamejante oprimia seu rosto e instaurava uma intensa e ardente dor forte o bastante para arremessa-la contra o paredão logo atrás de suas costas.
 Antes que uma nova reação pudesse ocorrer, contudo, a mão do inimigo cobria a sua boca e nariz, impedindo diretamente que a mulher pudesse se quer tentar conjurar qualquer coisa mais. O olhar tenebroso de Sarvet era exatamente o quê Erauthiel sempre demonstrou para seus inimigos, cheio de fúria íntegra, contudo com uma pitada de algo que a mulher nunca seria capaz de desenvolver... Perdão.
 -Perdão para os que não pedem é burriçe, sim. Contudo, Perdão para os humildes e arrependidos é a negação da própria humanidade. Eu só a derrotei por quê tive uma legião ao meu lado, não uma legião de demônios ou de soldados, mas de AMIGOS e IRMÃOS DE BATALHA! -Conforme o paladino prosseguia, os olhos da cavaleira se apagavam progressivamente devido à falta de oxigênio. -E o próximo passo é esmagar e ofuscar o orgulho pueril do Deus Antigo que tomou o corpo e a mente de teu amigo de infância, Nyalotho'thep! Tenha um bom descanso em seu ninho de solidão egoísta, Senhorita Era.

Conforme os olhos da cavaleira se fechavam enfim, cerrando sua consciência, ela desmaiava, aceitando sua morte enfim. A luz se torna em sombras e a chama em constante ignição enfim... se apaga. 


(Agradeço á todos que chegaram até aqui! Esse, com certeza é o final de uma fase importante minha dentro do ambiente RP e esse conto era a coisa que eu mais esperava pra poder produzir desde quando comecei. Queria deixar um obrigado especial à todos que nos acompanharam nesta jornada! Vocês são de mais!)

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