Diário de Sarvet: 1


Musiquê para imersê: 

Há uma semana estou mundo de origem dos Eredares. Até os ventos e os ares daqui são muito diferentes do que vejo em qualquer lugar de Azeroth. 

 Talvez o único solo que demonstre tamanha vileza,  decadência e sofrimento seja a, não tão nostálgica, Terralém.  Um mundo em estado vegetativo literalmente mantido pelo desespero de seu povo coagido nas sombras. "Argus é a Terralém de amanhã." Me disse um Eredar lá presente. 

 Vim e lutei alguns combates ao lado do Exército da Luz, preferi manter distância dos Illidari e, por sorte, não encontrei com nenhum deles. Ainda estou receoso quanto a como serei recebido em minha nova forma, o ritual para pôr esse Ma'nari dentro de mim não foi feito aos moldes dos seguidores de Tempesfúria, portanto, imagino que não serei recebido com flores por caçadores que não Mysandra ou Neron talvez. 

 Matar aqueles incontáveis Ma'nari, como meu demônio me corrigiu diversas vezes, se mostrou estranhamente prazeroso, certamente um indício da influência de Azazhel em meu inconsciente. Eu nunca aprovaria o assassinato dos inimigos e a caça por esporte, contudo, por hora, é uma das poucas formas que encontrei de deixa-lo ter o quê deseja e assim apaziguar meu demônio. 

 No entanto essa viagem me foi positiva por três motivos, dois dos quais, não esperava.

 O primeiro inesperado, mais simples que os outros:  Foi a primeira vez desde a possessão de Azazhel que pude testar esses meus novos poderes, estudar meu novo corpo e compreender o quê sou e não sou capaz de fazer. Surpreendentemente não precisei nem tocar em minhas Shal'dor para me defender, apenas, como é de praxe, empunhei os poderes de conjura de Shier'dor para aprimorar minhas armas e até criar imagens vis das mesmas.

 O segundo inesperado, o qual muito duvidei à cerca de sua eficácia: Tive a chance de defender alguns Eredares do Exército da Luz em meus combates... E fui recompensado com um novo traje. No fundo estou certo de que queriam apenas que eu disfarçasse a vileza que carregava com uma nova armadura, banhada de Luz. Eu o batizei carinhosamente de "Regalia do Passado-Eu".  

 Era fato que, ainda mais agora que volto para minha casa, meu peito está inflado novamente, essa maldição de fato não acabou comigo. Mesmo que... Por dentro, a mesma criatura espreite nas sombras do meu ser, buscando uma maneira de atacar e esfaquear a minha vontade.

 Bem, a terceira é a mais óbvia... Estudei o terreno tracei meu plano estratégico. Para quê? Reaver a última Shal'dor, é claro!  

 Sempre guardei Shier'dor sob a sombra de meu escudo desde a morte de meu irmão. Reinadriel trouxe-me Saladin ao reencontrar-me em Lua Prata. Mezi'lalor, teve a gentileza de me emprestar Enilon até que Lucius seja ofuscado às migalhas. E recobramos a posse de Sanak'kir com ajuda do Legado antes que que Teia pusesse suas imundas patas nela.

 E, daqui a dois dias (domingo:22/10/17), o Legado liderará uma campanha para tomar de volta Lusannel, e, considerando que tudo dê certo, sobrará apenas Dorna'Shal e... Sauda'dor.  

 Gosto de pensar nessas duas como a Sombra e a Luz do meu passado. Dorna'shal foi a Shal'dor feita em honra da saudade que sentia da minha primeira esposa, Sydra. Eu dei a mesma de presente para Neron na época em que não tinha um constante medo de ser esquartejado por quem designava-se à mim como "melhor amigo". No entanto, hoje caiu nas mãos de Nyalothotep, a principal criatura que vamos exorcizar deste mundo, aquele para quem reúno as Shal'dor. A sombra do passado, guardado oculto no coração sombrio do jovem nobre que um dia eu cuidei.

 A outra, no entanto... É sim, possível de ser recuperada para aumentar nossas chances contra o Culto da Rosa Negra. Mas... Sauda'dor foi forjada como um presente para minha segunda noiva, Erauthiel von Glory, talvez meu maior discípulo. E... A mulher que melhor soube estilhaçar o meu coração. Hoje ela é membro de uma unidade militar poderosíssima da aliança, "A Liga de Lordaeron". Usou aquele artefato para criar a arma secreta para matar todos os elfos sangrentos do mundo. Uma luz do passado, brilhando sobre meus olhos e pesando em meus ombros.

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 Houve, porém, um acontecimento muito peculiar que preferi registrar neste diário durante a espera de meu retorno. Por noites procurei o melhor local para preparar o combate futuro pela Sauda'dor, e percebi um diabrete de fogo vermelho. Ele mexia na minha bolsa, pegou Enilon e, quando me viu, saltou assustado e começou a correr.

 -AAAAAAAH! CORRE, DERG-

 -PARE JÁ!

 Para a minha surpresa... a criatura não só parou como parecia paralisar de medo e angústia, mesmo que eu não tivesse conjurado uma única magia no mesmo. Em poucos segundos, enchia-se de gotas de suor de desespero, mantinha-se em silêncio. Tenho minhas dúvidas se rezava para que eu não lhe desse outras ordens. 

 -Pelo amor de Sargeras, não manda eu... -Ele sussurrava sozinho assutado de uma maneira que até dava pena. 

 -Vire-se para mim. -Minha curiosidade vencia o desespero. Por sorte, minha teoria se comprovava conforme ele se virava para mim, baixava a cabeça envergonhado e parecia, pelo menos, trocar nervosismo por arrependimento. -Qual o seu nome?

-F-Fala chefia... Eu... Diabrete Derg. Me conhecem como o "O corredor." -Até suas orelhas estavam abaixadas.

-Bem... Isso... Explica algumas coisas. -Me abaixava e estendia a mão para ele. -Devolva Enilon, Derg. 

 Ele me devolvia timidamente e virava o rosto murmurando bem baixo.

 -Está em busca de mais algo?

 -...No seu mundo. -A resposta dele era evasiva, mas ao mesmo tempo, fazia sentido. 

 -Ah é?

 -É. Tô dispensado, chefe?

 -Ah, quero dizer... -Eu pegava a pedra e começava a guarda-la. - ... Pode ir só me-

 Quando viro a cabeça... Nada. Não tinha mais dúvida por quê chamavam Derg de "o corredor". Mas, ao menos com a pequena experiência pude traçar algum padrão, um demônio simplesmente foi incapaz de não seguir as minhas ordens. À princípio, não tinha explicação, no entanto... Não demoraria a ligar os pontos. "Derg, o corredor." Era um diabrete da Teia Infernal que, em algum momento, foi servo de Azazhel que, tecnicamente, sou eu agora. O quê quer dizer que, não sou só um membro do Triunvirato da Teia em questão de alma... mas também de autoridade.

 Fosse como fosse... Algumas pessoas precisam ser alertadas quanto a isso imediatamente.

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